sábado, 8 de janeiro de 2011

Os Evangélicos no Brasil - Nasce a Assembléia de Deus

NASCE A ASSEMBLEIA DE DEUS

Historiador AD Belem/PA - Brasil

Com um número tão pequeno, mas valoroso no Espírito, estavam lançadas as bases do Movimento Pentecostal, cujas raízes se estenderiam por todo o solo brasileiro com o nome de Assembleia de Deus.
Aqueles irmãos que foram desligados da referida Igreja Batista, juntamente com os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, não recuaram. Antes, convidaram os missionários para pastoreá-los, passando a se reunir em uma espaçosa sala na residência do casal Celina e Henrique Albuquerque.
A gloria do Senhor se manifestava naquele lugar entre o pequeno rebanho. Urgia, portanto, organizar o Movimento. Como eles não poderiam ficar de braços cruzados diante de tão grande mover do Espírito Santo, no dia 18 de junho de 1911, por deliberação unânime, foi fundada a Missão de Fé Apostólica, posteriormente denominada de Assembleia de Deus.
O termo Assembleia de Deus, dado à novel igreja, não tem uma origem definida. Entretanto, supõe-se que esteja ligado às igrejas que na América do Norte professavam a mesma doutrina e receberam a denominação de Assembleia de Deus ou Igreja Pentecostal.
Sobre isto, é aceitável o seguinte testemunho do presbítero Manoel Maria Rodrigues:
 Estou perfeitamente lembrado da primeira vez que se tocou neste assunto. Tínhamos saído de um culto na Vila Coroa. Estávamos na parada do bonde, na Bernal do Couto, canto com a Santa Casa de Misericórdia. O irmão Vingren perguntou que nome deveria se dar à igreja, explicando que na América do Norte usavam os termos Assembleia de Deus ou Igreja Pentecostal.
Aqueles irmãos depois concordaram que a igreja deveria ser chamada de Sociedade Assembleia de Deus e, no dia 11 de janeiro de 1918, foi registrada oficialmente com esse nome. Algum tempo depois, passou a ser chamada de Igreja Evangélica Assembleia de Deus.
PENTECOSTAIS EM AÇÃO
 Organizada a igreja, os pioneiros tiveram melhores condições de realizar o trabalho para o qual foram designados por Deus. Gunnar Vingren foi escolhido como pastor do novo rebanho e, como presbítero, foi designado o irmão Manoel Maria Rodrigues. O trabalho crescia, pois o Senhor Jesus continuava a salvar, curar e batizar com o Espírito Santo.
Imediatamente, Daniel Berg e Gunnar Vingren começaram a realização de cultos públicos em vários lugares, principalmente nas casas dos irmãos, onde outrora a igreja a que pertenciam havia realizado cultos. Isso aconteceu cerca de sete meses após a chegada dos missionários no Brasil. Dessa maneira, graças à bondade e à misericórdia de Deus, no início do século passado, iniciou-se o maior fenômeno evangelístico pentecostal no Brasil.
No início, o irmão Gunnar Vingren pouco viajava, pois sua missão era pastorear o pequeno rebanho, além de orar muitas vezes dias e noites inteiros pelo sucesso da obra do Senhor. De acordo com Efésios 4.11, ele era apóstolo e mestre, além de pastor da igreja, pois sua vocação e chamada ministerial eram essas.
Daniel Berg, pelo mesmo princípio bíblico, além de apóstolo, era evangelista. Ele tinha particular êxito no trabalho de evangelização pessoal, na venda de livros e distribuição de passagens bíblicas, o que lhe dava oportunidade de testificar a muitas pessoas, de casa em casa e nas viagens que empreendeu ao interior do Pará. Na época, mesmo tendo um escasso vocabulário em Português, no momento exato o Espírito Santo punha as palavras certas na sua boca. A sua mensagem era simples, e ele dizia sempre a todos com quem falava:
 Jesus Cristo salva, batiza com o Espírito Santo e cura os enfermos, e voltará em breve.
Com a expansão da obra, o inimigo de nossas almas levantou-se e moveu perseguições de todas as formas contra a novel igreja. Tornou-se comum a distribuição de folhetos contendo afirmações injurio­sas, bem como os ataques da imprensa por parte daqueles que não aceitavam a existência e a posição doutrinária da igreja nascente.
Casas que serviam para pontos de pregação foram apedrejadas. Havia insultos, levantes e algazarras tais que muitas vezes requeriam a intervenção da polícia. Mas o Senhor, que não desampara os seus, se manifestava com o conforto do Espírito Santo e o estímulo necessário, animando seus filhos por meio de profecias, como a seguinte, datada de 1913.
Profecia recebida. Era uma manhã de domingo, dia 25 de março de 1913. Os irmãos estavam reunidos em oração, quando o Senhor falou profeticamente: 
Paz seja Convosco! Eu sou o Senhor que vos amei, que vos chamei para que me sejais testemunhas entre os homens, do meu poder e do meu grande amor para com os pecadores. Alegrai-vos, meus filhos, porque eu estou convosco para vos dirigir no caminho dos céus.
Pouco tempo tendes para lutar. Sede, pois, corajosos ao confessar o meu nome, e crede, meus filhos, eu sou o Senhor que sonda os corações; não vos deixarei envergonhados, e todos conhecerão que Eu, o Senhor, e Todo-Poderoso, estou convosco.
Tranqüilizai-vos e não penseis em vossos corações: “O Senhor tarda em vir”. Guardai-vos na minha Palavra, que é a vossa luz; e a minha Palavra, que vos tenho dado, é a verdade. Eu sou a verdade. Eu sou a luz. Segui-a. Eu vos mostrarei a verdade da vida e os mananciais de águas vivas.
Alegrai-vos porque eu vos remi com o meu sangue, que derramei por vós. Dai glórias ao vosso Rei e crede que cedo estareis comigo face a face. Eu sou o Senhor, tenho dito.
Meu filho (para Gunnar Vingren), atenta os teus ouvidos e abre o teu coração e ouve a voz do teu Senhor que te chamou, porque assim aprouve ao Pai, para que por ti sejam ajuntadas as minhas ovelhas dispersas neste País. Crê, meu filho, uma grande obra eu tenho confiado a ti. Não desfaleças de teu ânimo nem indagues: Quem me ajudará?” — porque Eu, o Senhor, estou contigo. O Espírito Santo te revelará tudo quanto necessitares.
Lembra-te, meu filho, que o meu amor por ti foi perfeito, com o meu sangue eu te amei, com o Espírito Santo eu te ungi, para que clames em meu nome vida, paz e perdão para os pecadores. Não desprezes nenhuma palavra de todas que tenho dado porque, a seu tempo, todas serão cumpridas.
Apascenta o meu rebanho, anima-o com o exemplo da tua fé. Chega-te mais a mim, e eu te mostrarei verdes pastagens efrescos regatos onde os conduzirás. Guarda-te na obediência, fica debaixo do meu sangue. Far-te-ei vencedor sobre todos os inimigos. Não andes apressadamente. Sê paciente, fortalece-te na fé, no amor, e serei contigo.
Eis que eu, o Senhor, assim o quero: que todos andem em obediência à tua voz, e crê que eu vou manifestar mais e mais o meu poder. Eis que venho breve!
Deus continuava a abençoar o trabalho, que pouco a pouco se estabilizava na cidade. Daniel Berg continuava empreendendo viagens pelo interior. Os riscos das viagens eram compensados pela aceitação da mensagem divina por pessoas sedentas de conhecerem a Deus. Enquanto isso, o Senhor o livrava de perigos e de doenças, entre as quais cólera e malária, além de outros inimigos naturais da região.
Mas a semente caiu em boa terra, vingou e cresceu. Da Rua Siqueira Mendes, a sede da igreja foi transferida para a Av. São Jerônimo, n° 224 (numeração antiga), para a casa pertencente ao irmão José Batista de Carvalho; lá permaneceu até oito de novembro de 1914, quando foi transferida para a Travessa Nove de Janeiro, n° 75 (numeração antiga). Havia, porém, pontos de pregação nas vilas Coroa e Guarany.
Primeiros obreiros. O irmão Gunnar Vingren, apesar de a igreja estar ainda em sua fase inicial, já se preocupava com o trabalho evangelístico e missionário. Ele procurou despertar esse espírito entre os brasileiros salvos por Jesus Cristo. Como resultado, dentro de pouco tempo surgiram obreiros vocacionados para um trabalho de âmbito nacional, tais como: Isidoro Filho (1912) e Absalão Piano (1913), os primeiros pastores pentecostais consagrados no Brasil; além de Pedro Trajano (1914), Crispiniano Melo (1915) e Adriano Nobre (1915).
Ainda em 1913, o irmão José Plácido da Costa foi designado como missionário e foi o primeiro desta igreja a levar as boas novas ao povo português.
Gunnar Vingren e Daniel Berg tiveram como auxiliares na igreja, os seguintes irmãos: Pedro Trajano Pinheiro (1915-1917); Adriano Nobre (1916-1917); Almeida Sobrinho (1916-1924); Samuel Nyström (1917-1924); Bruno Skolimowsk (1922-1924); Nels Nelson (1921-1924).
Uso da imprensa. Em 1° de novembro de 1917, foi publicado, em Belém do Pará, o primeiro jornal pentecostal no Brasil. Sob o título Voz da Verdade, ficou sob a responsabilidade dos pastores Almeida Sobrinho e João Trigueiro. Foram impressos dois números. O jornal tinha a sua sede na rua Demétrio Ribeiro, n° 8-C. Esse jornal deixou de circular no mês de janeiro de 1918.
Em 1917, nos porões do primeiro templo da Igreja em Belém e no Brasil (na Trav. Nove de Janeiro, n° 75), foi criado um serviço de tipografia que começou a editar o jornal Boa Semente  e outras publicações, tais como calendários, hinários, estudos para Escola Bíblicas, revistas da Escola Dominical. A princípio, o jornal foi distribuído gratuitamente, mas depois passou a ser vendido.
Gunnar Vingren era o diretor, tendo como colaboradores os irmãos Samuel Nyström e, depois, Nels Julius Nelson. Lançado em 1919, este jornal circulou até 1930, funcionando como o órgão oficial de comunicação da Assembleia de Deus no Brasil, quando foi substituído pela publicação do Mensageiro da Paz, que permanece até hoje.
Em 1925, Samuel Nyström, sentindo a necessidade de um auxiliar na redação do jornal Boa Semente, trouxe Plácido Aristóteles Tavares do Canto, que há tempo conhecera em Recife, para ajudá-lo, posto que era um homem de reconhecida capacidade literária e cujo testemunho era positivo e profícuo no trabalho do Senhor.
Transcrevemos, a título de curiosidade, fragmentos do primeiro número do jornal Boa Semente: 
A Igreja Pentecostal no Brasil, sentindo há tempo a necessidade de uma publicação de sua fé, na qual melhor se pudesse conhecer os escritos da Bíblia Sagrada, vem, hoje, preencher esta necessidade, com o presente jornal. Tal é o motivo que traz à luz o Boa Semente.
E mais abaixo: 
A nossa atitude, pois, para com todos os crentes de qualquer denominação, é esta: não queremos desunião, nem discussão. Queremos, é certo, falar a verdade do Senhor. Queremos, sim, anunciar todo o conselho de Deus.
Onze anos depois, o jornal Mensageiro da Paz publicou, sem muitos aparatos, o seguinte:
Conforme determinou a Convenção em Natal, o Mensageiro da Paz veio substituir os periódicos “Som Alegre” e “Boa Semente”, que se fundiram em um só jornal, que passará a ser o Órgão das Assembleias de Deus no Brasil.[1]
Em 1920, o irmão Gunnar Vingren viajou pelo País, visitando e confirmando os trabalhos organizados. Em 1921, por motivo de doença, viajou para a Suécia, onde fez conhecida de todos a obra que Deus estava fazendo no Brasil, despertando assim mais o zelo missionário dos seus patrícios. Com isto, muitos jovens deixaram o conforto da sua pátria e vieram para o Brasil, entre eles Samuel Nyström, que depois veio a substituir Gunnar Vingren no pastorado da Igreja em Belém.
Em 1921, foi realizada a primeira Convenção Paraense, tendo como sede a cidade de São Luís, Município de Igarapé-açu, na Estrada de Ferro de Bragança. Em Belém, no período de 18 a 22 de agosto de 1921, teve lugar a primeira Escola Bíblica, que congregou um bom número de obreiros, os quais se reuniram para melhor se prepararem para o servi­ço de Deus, tendo grande atuação na ministração de estudos bíblicos o irmão Samuel Nyström.
Quando auxiliava Gunnar Vingren na Igreja em Belém, Samuel Nyström foi enviado para Manaus, onde fundou a Assembleia de Deus no Amazonas, em 1º de janeiro de 1918. Ele abriu trabalho também em Rio Branco (AC), retornando a Belém em 1922.
MANOEL MARIA RODRIGUES
Pela importância de sua participação no nascimento da Assembleia de Deus e pelo trabalho que realizou ao longo do tempo, merece destaque o irmão Manoel Maria Rodrigues.
Nascido em 22 de dezembro de 1893 na pequena Vila de Esgueira, distrito de Aveiro, Portugal, Manoel Rodrigues era filho de Julio Maria Rodrigues e Luzia Gonçalves de Jesus. Bem jovem ainda e recém casado com uma moça espanhola de nome Jezusa Dias, imigrou para o Brasil, fixando residência em Belém do Pará.
Em Belém, entrou em contato com o evangelho e decidiu entregar-se a Cristo, sendo batizado em águas pelo pastor Almeida Sobrinho, na Primeira Igreja Batista de Belém, em 09 de maio de 1909. Muito estudioso da Bíblia e dedicado à fé que abraçara, veio a ser consagrado diácono daquela igreja, cargo que exercia com eficiência e piedade cristã.
Nesta condição ele estava quando, em 1910, chegaram ao Brasil os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren. Verdadeiro investigador da verdade, Manoel Rodrigues e sua esposa Jezusa Dias vieram a ser contados entre os que foram desligados da Igreja Batista e fundaram a Assembleia de Deus.
O Mensageiro da Paz, na reportagem que noticiou o seu falecimento, descreveu:
Diga-se, a bem da verdade, que o irmão Manoel Rodrigues chegou até a ser esbofeteado no rosto... pelo crime de manter a sua liberdade de crer em Jesus conforme a sua consciência... mas nada o abalou; permaneceu firme confessando que Jesus batiza atualmente aquele que crê no batismo com o Espírito Santo, e por este motivo foi excluído.[2]
            Ainda no nascedouro da igreja, foi separado como presbítero, o primeiro a ser consagrado.
Em 1914, zeloso de seus deveres filiais, Manoel Rodrigues resolveu regressar a Portugal, a fim de levar a mensagem do evangelho a seus velhos pais e irmãos que ali deixara. Deus o abençoou grandemente em Portugal, onde também foi um dos pioneiros da obra pentecostal. Entre aqueles que ali ganhou para Jesus, se destacou como verdadeiro valor espiritual e evangelístico o pastor Rogério Ramos Pereira.
            De Portugal, Manoel Rodrigues foi para a Argentina, a fim de encontrar alguns parentes e amigos, a quem se sentia no dever de evangelizá-los. Assim, mais um trabalho pioneiro lhe foi confiado por Deus, pois na sua residência em Buenos Aires foi que nasceu a Assembleia de Deus da Argentina. Depois disso, ele voltou para Belém.
            Tendo completado a sua missão na terra, o Senhor Jesus o chamou ao descanso eterno quando se passavam quinze minutos das 14h do dia 19 de maio de 1969, onde agora está aguardando a coroa da justiça, que lhe será dada pelo Justo Juiz.


[1] Mensageiro da Paz, n° 18, setembro de 1932.
[2] Mensageiro da Paz, Ano 39, No. 14, Jul/1969, pg. 1.

Os Evangélicos no Brasil - História da Assembléia de Deus

PRIMEIROS EVANGÉLICOS NO BRASIL III

Historiador AD Belem/PA - Brasil

Desligamento. A direção da Igreja Batista, ao tomar conhecimento do ocorrido, não aceitou o que estava acontecendo com os membros da mesma. Havia necessidade de uma tomada de posição. Como ponto de partida, houve convocação da igreja para uma reu­nião extraordinária, realizada em 13 de junho de 1911.
Nessa ocasião, o irmão Raimundo Nobre apoderou-se do púlpito e atacou os partidários do Movimento Pentecostal, fazendo a proposição para ficarem de pé os que estivessem de acordo com a doutrina do Espírito Santo. Diante do desafio, a maioria se pôs de pé. Imediatamente Raimundo Nobre propôs à minoria que excluísse a maioria.[1]
Em seus diários, Gunnar Vingren e Daniel Berg contam que 18 irmãos se levantaram.[2] O historiador Emílio Conde cita que foram afastados 17 membros, acompanhados de seus filhos que eram menores de idade.
De qualquer modo, não havendo tran­sigência, os mesmos foram afastados da Igreja Batista.
No entanto, na checagem de várias fontes, dão-se conta que foram, no mínimo, 20 irmãos os membros que resolveram seguir o caminho do Pentecostes, logo no início da igreja. Possivelmente, alguns dos constantes da relação abaixo não estivessem presentes àquela reunião e, somente após esse incidente, tenham se agregado ao grupo.
Os irmãos afastados foram: Alberta Mendes Garcia (esposa de Adriano P. Nobre); Antônio Mendes Garcia; Joaquim da Silva e Benvinda Saraiva da Silva (esposa); Henrique Albuquerque e Celina Albuquerque (esposa); Emilia Dias Rodrigues; Manoel Maria Rodrigues e Jezusa Dias Rodrigues (esposa); Joana Dias Dominguez; João Dias Dominguez e Raimunda Dominguez (esposa); José Batista de Car­valho e Maria José Pinto de Carvalho (esposa); Josina Galvão Ba­tista; Manoel Dias Rodrigues; Maria Joana Soares; Maria de Nazaré Cordeiro de Araújo; José Pláci­do da Costa e Maria Piedade da Costa (esposa).
Os filhos menores que os acompanharam, foram: Anna Victória da Silva e Izabel Leonísia da Silva (filhas de Benvinda); João Dominguez Filho (filho João Dias Dominguez); Prazeres da Costa (filha de Maria Piedade da Costa); Tereza Silva de Jesus (filha de Joaquim da Silva).[3]
Todos estes irmãos acompanharam Daniel Berg e Gunnar Vingren, para darem início à Assembleia de Deus, que primeiramente passou a se reunir na Rua Siqueira Mendes, 67, na casa do casal Celina e Henrique Albuquerque, no centro da cidade de Belém. Na verdade, segundo Emílio Conde, esse grupo é que convidou os missionários a comparecerem nesse endereço e legitimou sua liderança pastoral à frente da novel igreja.[4]
Primeiro homem batizado no Espírito Santo. O primeiro homem a receber o batismo com o Espírito Santo, segundo consta nos registros históricos da igreja, foi o irmão Manoel Francisco Dubu. Ele era paraibano, mas morou cerca de 17 anos no Pará, onde aceitou a Cristo numa Igreja Presbiteriana, nos idos de 1907. Quando a Igreja em Belém ainda estava no nascedouro, abraçou a fé pentecostal, recebendo a gloriosa promessa. Ele conviveu durante muitos anos com os pioneiros, deles aprendendo preciosas lições.
Depois de haver sido batizado nas águas, ele retornou à sua terra natal, em 17 de dezembro de 1914, sendo o primeiro crente e o primeiro evangelista na Paraíba, onde levou muitas pessoas ao conhecimento de Jesus. Manoel Francisco Dubu foi separado para o presbitério por Cícero Canuto de Lima (1935), tendo servido por muitos anos como presbítero na Assembleia de Deus em Campina Grande.



[1] História das Assembleias de Deus no Brasil, pg. 32.
[2] Diário do Pioneiro, pg. 41; Enviado por Deus, pg. 57.
[3] Informações fornecidas pelo pesquisador Samuel Nelson
[4] História das Assembleias de Deus no Brasil, pg. 32.
[5] Mensageiro da Paz, Ano 37, No. 20, Out/1967, pg. 1.

Os Evangélicos no Brasil - História da Assembléia de Deus

PRIMEIROS EVANGÉLICOS NO BRASIL II

Historiador AD - Belem/PA - Brasil

Rua Azuza. Porém, é opinião geral dos historiadores que a face mais importante do Movimento Pentecostal deu-se na Rua Azuza, em Los Angeles, Califórnia, em 1906, com o pastor William J. Seymour, que foi o instrumento usado por Deus para pregar ardorosamente sobre a promessa do batismo no Espírito Santo. Seu acentuado zelo pela pureza da obra do Senhor levou muitas pessoas a se interessarem em buscar a preciosa bênção dos céus, mesmo aquelas filiadas a outras igrejas.
William J. Seymour, um santo pregador negro, filho de escravos, caminhou sob a influência do Movimento de Fé Apostólica(como o Movimento Pentecostal foi primeiramente conhecido) em Houston, Texas. Charles Parhan tinha aberto outra escola naquela cidade, nos idos de 1905. Foi lá que Seymour recebeu instruções sobre a doutrina pentecostal.[1]
Embora fosse admoestado pelos irmãos em Houston a não partir para Los Angeles, não até que houvesse recebido o batismo pentecostal, Seymour mesmo assim se sentiu impelido a aceitar o convite que lhe fora feito. O resultado de sua ida àquela cidade é bem conhecido, pois em Los Angeles, Califórnia, em 9 de abril de 1906, quando a primeira pessoa na cidade recebeu o batismo no Espírito Santo, de acordo com o modelo bíblico, houve uma reação em cadeia que espalhou a mensagem pentecostal por todas as principais cidades Norte-americanas, principalmente para a cidade de Chicago, onde quase todas as igrejas evangélicas receberam a promessa gloriosa.
Esse movimento se alastrou por várias partes do mundo e caracterizou-se por acentuar o espírito missionário entre os crentes e, conseqüentemente, o interesse em disseminar a sã doutrina entre outros povos, até aos confins da terra, inclusive o Brasil.
 DOIS HOMENS E UMA CHAMADA
 Deus escolheu os missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren para executarem a proclamação do seu plano de salvação em terras brasileiras.
Durante o citado avivamento nas igrejas americanas, Gunnar Vingren ansiosamente buscou o batismo no Espírito Santo. Depois de cinco dias de oração, recebeu também o cumprimento da promessa.[2] Daniel Berg já havia sido instruído sobre essa gloriosa experiência, quando de sua ida à Suécia em visita aos seus familiares. Ao retornar para os Estados Unidos, ainda na viagem, recebeu o batismo no Espírito Santo. Uma vez que ambos haviam recebido a bênção, sua experiência de fé os fez colocarem suas vidas no altar, quando Deus os escolheu para esta grande missão: trazer a mensagem pentecostal para o Pará.
A chamada. Isto ocorreu durante o verão de 1910, num sábado à tarde, quando Gunnar Vingren e Daniel Berg visitavam o irmão Olaf Adolfo Ulldin. O Senhor usou tão poderosamente este servo de Deus, que lhes transmitiu uma revelação do Senhor para partirem como missionários ao Brasil, mais precisamente ao Pará. O lugar indicado por Deus era-lhe totalmente desconhecido. Localizando no mapa o distante Norte do Brasil, cheios de ânimo e determinação, começaram a preparar-se para sua nova missão.
O pastor Gideon Ulldin, filho de Adolfo Ulldin, quando da sua visita ao Brasil por ocasião do Jubileu de Ouro das Assembleias de Deus (1961), descreveu como se deu a revelação de Deus que trouxe os pioneiros à nossa terra:
Foi na casa de meus pais, na cidade de South Bend, estado de Indiana (EUA), no ano de 1910, que os irmãos Gunnar Vingren e Daniel Berg receberam a sua chamada para o Brasil. Esses irmãos durante várias semanas hospedaram-se em nossa casa, e oravam constantemente ao Senhor para Ele os guiar quanto ao lugar onde deveriam dedicar suas vidas.
Certo dia, meu pai, Olaf Ulldin, que era um simples pintor de casas, contudo um homem de oração, fazia um trabalho na cozinha de nossa casa, quando repentinamente veio sobre ele o Espírito do Senhor. Ele ajoelhou-se e logo a família fez o mesmo, como também os hóspedes Gunnar Vingren e Daniel Berg.
Eu, um menino de onze anos nesse tempo, ouvi meu pai falar em profecia a esses jovens pastores: “Ireis ao Pará. O seguinte é um hino que ouvireis quando ali chegardes”. Meu pai então cantou em língua estranha (realmente em Português, língua que não conhecia sendo nascido na Suécia) um hino que mais tarde os missionários puderam identificar. Tudo isso foi debaixo da unção e da inspiração do Espírito Santo.[3]
Junte-se à revelação divina, a confirmação dos seguintes detalhes: o mapa do Pará, tipo de alimento dos paraenses, sua língua, a data da viagem. Tudo confirmado! Ao obedecerem à comissão que lhes fora confiada, credenciaram-se às bênçãos dos céus e ao galardão pelas almas ganhas no Brasil. Assim, eles trouxeram a mensagem pentecostal para o País, chegando a Belémno dia 19 de novembro de 1910.
Ao desembarcarem, logo descobriram que tudo lhes era estranho, de modo que encontraram muitas dificuldades, principalmente a barreira do idioma. Tais dificuldades foram aumentadas com a falta de recursos financeiros, pois além de serem pobres, não eram mantidos por nenhuma organização missionária, enviados que foram unicamente por Deus, que se incumbiu de providenciar-lhes o necessário.
De fato, o Senhor dirigiu a vida de seus servos. De início, conseguiram alojamento, por alguns dias, no porão de um templo da Igreja Batista, na Rua João Balbi, 406.
As igrejas protestantes de então tomaram conhecimento da chegada dos missionários, e estes, por sua vez, passa­ram a receber convites para visitá-las. Nessas ocasiões, os missionários apenas cantavam hinos de louvor a Deus em seu próprio idio­ma, pois pouco conheciam da Língua Portuguesa.
Quando começaram a entender o nosso idioma, iniciaram, de fato, o trabalho para o qual o Senhor os tinha enviado. Testificavam de Jesus, enfatizando a salvação, o batismo com o Espírito Santo, a cura divina e o uso dos dons espirituais.
A princípio, poucos membros da Igreja Batista se interessaram por essa doutrina, pois acreditavam ser a mesma ultrapassada. Mas, à medida que Daniel Berg e Gunnar Vingren procuravam ensinar-lhes, comprovando a sua atualidade através da Bíblia Sagrada, o grupo de interessados crescia, e isso fez com que surgissem facções dentro daquela igreja.
Havendo divergência, somente alguns aceitaram a doutrina. Todavia, a atitude dos irmãos que rejeitavam não foi obstáculo para que os pioneiros recuassem ou ficassem temerosos. Pelo contrário, tornaram-se mais ousados, pois criam que o Senhor era com eles.
O tempo passava. Seis meses depois da chegada dos missionários, o irmão Gunnar Vingren foi convidado para dirigir um culto de oração e, ao fazer uso da Palavra, falou da necessidade de o crente ser revestido do poder do alto. A maioria dos presentes alegrou-se com a doutrina.
Primeiro batismo no Espírito Santo. Outras reuniões de oração foram realizadas nas casas de al­guns membros daquela igreja, os quais clamavam insistentemente a Deus, pois já reconheciam que a doutrina do batismo com o Espí­rito Santo poderia se tornar uma realidade em suas vidas.
Sendo assim, ao alvorecer do dia 8 de junho de 1911, a irmã Celina Albuquerque, orando em sua casa, juntamente com outros irmãos, teve o privilégio de ser a primeira evangélica brasileira a receber o cumprimento da promessa, falando em línguas, tal como os primitivos cristãos no dia de Pentecostes.
No dia seguinte, a irmã Maria de Nazaré de Araújo foi também batizada com o Espírito Santo.



[1] SLICK, Matthew J. Breve Histórico do Pentecostalismo.
[2] VINGREN, Ivar. Diário do Pioneiro, pg. 25.
[3] Mensageiro da Paz, Ano 31, Ago/1961, pg. 4.

Os Evangélicos no Brasil - História da Assembléia de Deus

PRIMEIROS EVANGÉLICOS NO BRASIL I

Historiador AD - Belem /PA - Brasil

Coube ao Brasil a honra de ter tido a realização do primeiro culto evangélico do Atlântico Sul, o que ocorreu em 10 de março de 1557, pelos primeiros cristãos evangélicos que aportaram no Novo Mundo. Nesta data, chegou ao Brasil a segunda expedição de colonos franceses, a fim de estabelecerem a França Antártica em terras brasileiras. O culto foi dirigido pelo pastor calvinista francês (huguenote) Pierre Richier, na Ilha de Villegaignon, na Baía de Guanabara (RJ), lugar onde está localizada a Escola Naval da Marinha do Brasil, o estabelecimento de ensino militar mais antigo do País.
O vice-almirante francês Nicolau Durand de Villegaignon, comandante da primeira expedição, escrevera a João Calvino, líder da Igreja Reformada em Genebra, solicitando membros daquela igreja para estabelecerem aqui uma obra cristã nos moldes daquela, para se encarregarem da evangelização dos naturais da colônia e da catequese em geral. Calvino enviou 14 huguenotes, entre os quais dois pastores – Du Pont de Corguilleray, líder do grupo; e Pierre Richier, pastor e doutor em teologia – e um estudante de teologia, que serviu como cronista.
No culto citado, eles cantaram o Salmo 5 (de melodia desconhecida hoje); em seguida, Richier fez a leitura bíblica (Salmo 27.3,4), tendo proferindo um inspirado sermão. Todas as noites havia reuniões, onde oravam e pregavam a Palavra de Deus. Aos domingos, havia duas reuniões. A primeira Santa Ceia em terras brasileiras foi celebrada num domingo, em 21 de março de 1557.[1]
 PRIMEIRAS IGREJAS
 Foi somente nos idos de 1810 que os cultos evangélicos passaram a ter caráter definitivo no Brasil, com a fundação da Igreja Anglicana no Rio de Janeiro.
A partir daí, outras denominações evangélicas foram organizadas, a saber:
▪ Igreja Metodista (1835);
▪ Igreja Luterana (1845);
 Igreja Congregacional (1855);
 Igreja Presbiteriana (1862);
 Igreja Batista (1882);
 Igreja Episcopal (1890);
 Igreja Adventista (1895);
 Congregação Cristã (1910);
 Assembleia de Deus (1911).
 Doravante, outras denominações evangélicas foram organizadas no Brasil, mas nos deteremos apenas na fundação da Assembleia de Deus, pois com ela iniciou a obra pentecostal de maior vulto no Brasil, e que é considerada um dos maiores fenômenos da fé pentecostal no mundo. Essa obra, contudo, é fruto do avivamento pentecostal que eclodiu no início do Século XX.
 O AVIVAMENTO PENTECOSTAL NO SÉCULO XX
 O avivamento pentecostal do século XX começou na sede do Bethel Bible School, na cidade de Topeka, estado do Kansas (EUA), quando Deus batizou com o Espírito Santo os primeiros crentes no Século XX.[2]
Embora houvesse notáveis movimentos do Espírito Santo, nos quais falar em línguas, profecia e curas foram experimentados, nenhum desses reavivamentos desembocou para um “Movimento Pentecostal”, tal como resultou do derramamento do Espírito que tomou lugar na virada do século no Bethel Bible College, de Charles F. Parham. Quando os estudantes entenderam, a partir de seus estudos nas Escrituras, que a evidência bíblica do batismo no Espírito Santo é o falar em língua, e então buscaram essa experiência, o tempo tinha chegado para a inauguração do Movimento que viria a envolver todo o mundo.
Primeiro batismo. Em 1º de Janeiro de 1901, uma jovem estudante do Bethel, de nome Agnes N. Ozman, pediu que lhe fosse feita imposição de mãos pelos pastores e líderes, pois cria que iria receber o batismo no Espírito Santo, de acordo com o modelo indicado no livro de Atos dos Apóstolos. Estes responderam ao seu pedido e impuseram as mãos sobre ela; então, Deus honrou a fé daquela jovem e batizou-a com o Espírito Santo, de modo que ela falou em línguas estranhas e glorificou o nome do Senhor.
Esta, porém, não foi a primeira vez, desde os dias apostólicos, que o Espírito fora derramado, acompanhado por manifestações espirituais incluindo profecias e falar em línguas. Nos Estados Unidos, há notícia do mover do Espírito Santo nos idos de 1854 na Nova Inglaterra, sobre aqueles que eram conhecidos como The Gift People.[3]



[1] Mensageiro da Paz, Ano 37, No. 21, Nov/1967, pg. 8.
[2] Mensageiro da Paz, jun/1961, pg. 3.
[3] FRODSHAM, Stanley H. With Signs Following (Springfield, Gospel Publishing House, 1941), 253–262.

domingo, 14 de novembro de 2010

AD de Apodi. “76 anos Benção e Vitória"


Festa dia 27 de novembro de 2010
A historia da Igreja Evangélica Assembléia de Deus em Apodi, tem sido um marco referencial do evangelho em nosso município. O trabalho da Assembléia de Deus em Apodi RN iniciou no ano de 1934 quando o irmão Zequinha do Quixadá, vindo do Ceará celebrava culto no sítio Pau Ferrado, em Apodi, na residência do irmão Cícero Costa. No ano de 1940 o pastor João Vieira vinha ministrar a santa ceia para os poucos crentes da Assembléia de Deus em Apodi. O trabalho oficial da Assembléia de Deus em Apodi foi instalado no ano de 1960, quando o pastor José Juvêncio alugou um prédio na Rua Antônio Lopes Filho. O primeiro templo construído pela Assembléia de Deus no endereço atual à rua 1º de maio 203 foi construído pelo pastor Francisco Félix da Rocha e inaugurada em 20 de novembro de 1965. O pastor Félix criou o conjunto Lírio dos Vales.
De 19 de novembro de 1934 a a 18 de fevereiro de 2010, a AD de Apodi foi guiada por 10 Pastores, homens vocacionados por Deus para atuar nas terras áridas da região sob a influencia do catolicismo, foram pioneiros em trazer  uma mensagem cheia de unção e Pentecostes, responsável por salvação e transformação de vidas para fortalecer o exercito de Cristo. 
O 11º  Pastor, JAIME MARIANO DE AZEVEDO FILHO assume a Igreja Assembléia em Apodi no dia 18 de fevereiro de 2010.
A igreja evangélica Assembléia de Deus, em Apodi vem sendo um marco na história do evangelho, primando pelo cumprimento da doutrina bíblica e não se afastando dos ensinamentos que lhe são peculiares, sendo uma igreja que vem apresentando um amplo crescimento estrutural e sobre tudo com grandes conquistas espirituais concedida por nosso Senhor Jesus Cristo. 


O pastor Jaime Mariano, nestes 08 meses de trabalho visitou os trabalhos do campo de Apodi, reordenou as atividades de assistência aos membros e congregados; realizou o Impacto Jovem, que resultou em 28 decisões de almas para cristo, concluiu e inaugurou dois templos, a Congregação na comunidade do Sitio Arção e a Congregação de Peniel; reformou o ambiente interno da igreja revestindo de cerâmica e com nova pintura  nas paredes, reformou 02 banheiros, realizou o revestimento do piso na laterais do templo. Como resultado deste trabalho, aproximadamente 50 novos convertidos estarão descendo as águas batismais no dia   em que a AD de Apodi comemora 76 anos de Bençãos.

Pb Marcilio Reginaldo.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010